LucianaFranklin

“A palavra é metade de quem a pronuncia, metade de quem a escuta” Michel de Montaigne

Textos


loucura é a história do outro

A loucura não existe

ao mesmo tempo que

na realidade social

ela de fato existe.

Não existe enquanto natureza

existe no nível das práticas sociais

no nível do discurso e no nível das relações de poder.

Traçar uma história da loucura é realizar o empreendimento de uma história do outro.

História da loucura pode ser entendida como uma “História do Outro”, uma história que se preocupa em pensar não mais o Mesmo, mas antes todos os outros que teriam sido excluídos pelo pensamento ocidental.

O louco é o outro e a loucura é o “Fora”

é o espaço excluído da razão.

Justamente neste espaço do fora se situa o louco na modernidade

já que é completamente esquadrinhado pelo saber psiquiátrico

destituído de falar sua verdade, na medida em que a razão tomou as rédeas da loucura para excluí-la da produção de verdade.

O louco não fala a verdade

nem mesmo a verdade da loucura.

O louco erra.

A loucura é o mar do erro

o espaço do “fora” que artistas e poetas podem transitar

sempre tendo a razão como referencial

mas onde o louco se perde

se afoga.

 

FOUCAULT, Michel. Nascimento da Biopolítica. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

 

 

LucianaFranklin
Enviado por LucianaFranklin em 18/02/2025
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