![]() Amor como os macacos rhesusO psicólogo americano Harry Harlow fazia alguns testes com macacos rhesus para entender como os bebês desenvolvem conexões amorosas com suas mães. Para isso, ele criou experiências controversas em que os pequenos filhotes de macacos interagiam com "mães" substitutas feitas de pano ou de arame.
Muitos psicólogos da época, em especial, os behavioristas como Pavlov, Skinner, viam o afeto excessivo como perigoso para as crianças, pois elas se tornariam dependentes. Harlow criou alguns filhotes de macaco em completo isolamento. O que ele observou é que, crescendo sozinhos, os macacos se machucavam e pareciam sempre perdidos. Eventualmente, um parava de comer e morria. Mas ele também notou que esses macacos se agarravam às fraldas de pano, o que os levou para outra fase do estudo: ele começou a colocar "mães" substitutas para os filhotes. Uma era de arame e outra, feita de pano. Às vezes, a mãe de arame tinha uma mamadeira; às vezes, a mãe de pano. O que Harlow notou é que os bebês macacos passavam sempre mais tempo com a mãe de pano, mesmo quando ela não tinha leite. Eles podiam se aproximar da mãe de arame para mamar, mas logo voltavam para a de pano e a mera presença da mãe deixou os bebês mais confiantes: eles eram capazes de explorar mais o território pelo simples fato de a mãe estar lá. Quando eram colocados em um lugar sem a mãe, os macacos gritavam e choravam de medo e a presença de pares como irmãos afetava os filhotes.
Descobriu que os macacos que cresceram com colegas e uma mãe interagiam muito facilmente com os outros. Os que só tinham a mãe também interagiam, só que levavam mais tempo. Por fim, macacos sem mãe nem colegas não tinham habilidades sociais. Estes estudos serviram para refutar uma certeza circulante entre os cientistas da época, de que o contato entre mãe e bebê não era importante. Para contrapor isso, Harlow desenvolveu um conceito que chamou de "conforto de contato": quando isso era oferecido aos filhotes (sejam macacos ou humanos), eles tendiam a crescer melhor e serem bem ajustados à sociedade.
No entanto, alguns de seus experimentos foram refutados e considerados antiéticos, pois ao separar os filhotes de macaco de suas mães, o psicólogo teria causado um dano irreparável a eles. Mas Harlow se defendeu dizendo que este recurso foi essencial para entender o funcionamento do amor, uma das emoções mais poderosas que existem. Ele escreveu: "O amor é um estado maravilhoso, profundo, terno e recompensador. Por sua natureza íntima e pessoal, é considerado por alguns como um tema impróprio para pesquisas experimentais. Mas, quaisquer que sejam nossos sentimentos pessoais, nossa missão como psicólogos é analisar todas as facetas do comportamento humano e animal em suas variáveis componentes".
No entanto, para Liév Tolstói, amor começa quando uma pessoa se sente só e termina quando uma pessoa deseja estar só. (1870, “Ana Karenina”).
Harry Harlow, Universidade de Winconsin, em Madison, 1957 LucianaFranklin
Enviado por LucianaFranklin em 25/02/2025
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