![]() ignorância humana como maior escola do mundoMontaigne parece propor que, por mais condenável que seja abandonar um ser humano que necessite de ajuda, como ele mesmo poderia reprimir os camponeses por fazê-lo?
Levando em conta a injustiça que poderia resultar desse ato humanitário. E por que a injustiça acontece? “Quantos inocentes descobrimos que foram punidos — quero dizer sem culpa dos juízes — e quantos há que não descobrimos?” (Montaigne, 2009, p. 431).
Esse tipo de injustiça parece resultar dessa fraqueza humana de pressupor algo como verdadeiro sem antes questionar de maneira adequada e pensar nas possíveis interpretações e consequências daquilo que denunciam como verdade. Aparenta ser muito mais fácil culpar como assassino quem se encontra ao lado do corpo morto, mesmo existindo evidências de que poderia tratar-se apenas de uma ajuda humanitária, do que ter de procurar o assassino pela cidade, quando o mais óbvio e verdadeiro parece presumir que quem se encontra na cena do crime é o culpado. É justamente essa presunção do homem de crer absolutamente em sua verdade supostamente encontrada por meios racionais que Montaigne denuncia, pois “quantas condenações já não vi mais criminosas que o crime?” (Montaigne, 2009, p. 432).
A experiência, por si só, não é condição suficiente para o verdadeiro conhecimento do eu, mas a disposição de cada um com suas experiências vai definir se aprenderam com elas ou não. Montaigne revela que suspeitar de tudo que presumimos concluir das nossas experiências também constitui uma parte essencial do aprendizado sobre si mesmo, em razão disso, “aprendo a suspeitar de meu procedimento em tudo, e emprenho-me em ordená-lo.” (Montaigne, 2009, p. 436).
Montaigne assevera que, por sua experiência, a ignorância humana caracteriza-se, como a maior escola do mundo.
MONTAIGNE, Michel de. Os Ensaios Vol. I. Trad Rosemary Costhek Abílio. São Paulo: Martins Fontes, 2000. MONTAIGNE, Michel de. Os Ensaios Vol. II. Trad. Rosemary Costhek Abílio. São Paulo: Martins Fontes, 2006. MONTAIGNE, Michel de. Os Ensaios Vol. III. Trad Rosemary Costhek Abílio. São Paulo: Martins Fontes, 2009. LucianaFranklin
Enviado por LucianaFranklin em 25/02/2025
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