

Baruch Spinoza, poema de Jorge Luis BorgesBARUCH SPINOZA
Ocidente a janela em bruma de ouro A luz evoca. Assíduo, o manuscrito Já prenhe de infinito a hora aguarda. Alguém nesta penumbra a Deus constrói, Um homem Deus engendra. É um judeu De tristes olhos e cítrea pele. O tempo o leva como leva um rio A folha que nas águas vai descendo. Não importa porém; com delicada Geometria insiste o feiticeiro E a Deus cinzela; da doença parte Para além do que dele só é nada. A Deus vai erigindo com palavras, O mais pródigo amor lhe foi doado, Amor que não espera ser amado.
Jorge Luis Borges*
*Jorge Luis Borges escreveu o poema "Baruch Spinoza", uma obra que reflete sobre a figura do filósofo holandês e a sua concepção de Deus enquanto a própria natureza, num diálogo poético com o pensamento do autor da «Ética», segundo referências encontradas em diversas publicações. É inspirado na obra e no pensamento do filósofo holandês, nomeadamente a sua concepção de um Deus imanente, que é a própria natureza, conforme apresentado na sua obra "Ética". Edições e Traduções: O poema "Spinoza" foi publicado em coleções como «El otro, el mismo» e diversas traduções, incluindo as de Augusto de Campos, em «Quase Borges», e de Josely Vianna Baptista, em «Poesia». LucianaFranklin
Enviado por LucianaFranklin em 04/08/2025
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |