LucianaFranklin

“A palavra é metade de quem a pronuncia, metade de quem a escuta” Michel de Montaigne

Textos

Goethe foi budista

Por quê?

Porque ele serviu

um Buda chamado Spinoza.

Quem não for capaz de ler A Ética

como um sutra do Grande Veículo,

ainda que se diga budista

não passa de uma toupeira.

Buda viveu há 2.500 anos.

E Spinoza, há 300.

Realmente a verdade é uma só!

É a universidade do Budismo.

Aquele homem

num cantinho de sua cidade

viveu como artesão polidor de lentes,

viveu autenticamente a Verdade!*

 

Não sei de filósofo algum a quem tenham sido dedicadas poesias ou comovidas evocações de encontros decisivos. Há, naturalmente, os eruditos, e esta é a maioria, os conhecedores e interpretadores de sua obra, olhada de ângulos diversos. A esses nada acontece de realmente importante. 

 

Goethe permaneceu em reclusão durante meses para estudar a Ética e, a partir daí, passou por um processo de transformação. “Na Ética de Spinoza encontrei apaziguamento para minhas paixões; pareceu-me que se abria ante meus olhos uma visão ampla e livre sobre o mundo físico e moral. A imagem deste mundo é transitória; desejaria ocupar-me somente das coisas duradouras e conseguir a eternidade para meu espírito, de acordo com a doutrina de Spinoza”.

 

“Ó amigo! Busca-o durante tua vida, conhece enquanto vives, compreende enquanto vives:
pois na vida está a libertação. Se teu cativeiro não se romper enquanto viveres, que esperança de libertação haverá na morte? Se obténs agora a união, estarás unido a Ele para sempre,
Mergulha na verdade”.

Mergulha desde já na Substância Infinita. Agora e sempre,

Nise da Silveira*.

 

 

FONTES:

Maida Schiuchi, também escreveu versos para Baruch Spinoza.

“Em Spinoza, a visão intelectual do universo apresenta-se de um só golpe quase perfeito”, escreveu Karl Jaspers. (JASPERS, Karl: Les Grands Philosophes. Paris, Plon, 1972, p. 289)

*Nise da Silveira — Psiquiatra e escritora brasileira, a única mulher a se formar na turma de 1926 da Faculdade de Medicina da Bahia. Lutou contra terapias de choque nos anos 1940, criando a seção de terapêutica ocupacional do Centro Psiquiátrico D. Pedro 2º, no Rio de Janeiro. Introduziu um método para tratar pacientes com transtornos mentais por meio da arte e desafiou a ditadura militar. Fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro, 1952. Sempre uma subversiva. 

"Cartas a Spinoza" - Dra. NISE DA SILVEIRA (Cartas I e II)

 

LucianaFranklin
Enviado por LucianaFranklin em 04/08/2025
Alterado em 05/08/2025
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