LucianaFranklin

“A palavra é metade de quem a pronuncia, metade de quem a escuta” Michel de Montaigne

Textos


Criador de mundos, bizarro Raymond

Raymond Roussel era um criador de mundos, um escritor que nunca foi popular, mas que acabou por influenciar a arte do século XX. Não usava um sobretudo mais do que duas vezes e andava sempre impecável, calças e camisas vincadas, gravatas discretas ou laços exuberantes. Para este homem que só comia uma vez por dia para não perder tempo e que suspeitava que todos os gênios tinham uma estrela gravada na testa, escrever era uma obsessão e a popularidade um desejo que mais tarde haveria de intrigar os psiquiatras. Raymond Roussel é um enigma criador de outros enigmas, um escritor que marcou a arte do século XX até morrer, aos 56 anos, num hotel de Palermo, com uma "overdose" de barbitúricos; "Ele achava que, depois de escrever o primeiro livro, as pessoas iam reconhecê-lo na rua, cumprimentá-lo. Isso nunca aconteceu e Roussel nunca lidou bem com esta falta de fama. Porque a sua escrita é densa, difícil - escrevia histórias por associação fonética, brincando com os sons das palavras, sem se preocupar em criar significação. É um escritor de escritores, um artista de artistas"

(curador francês François Piron). É por causa desta "vertigem da imaginação" que Roussel influenciou artistas tão diferentes, Dalí e Duchamp, Ernst e Cornell, Graham e Picabia, Ree Morton e Cristina Iglesias, chamando a atenção para a atração que Roussel sentia pela ciência e pela obra de Júlio Verne e do astrónomo Camille Frammarion.

 

FONTE:

https://www.publico.pt/2011/11/25/jornal/estranho-e-fabuloso-dandy-23467892

 

LucianaFranklin
Enviado por LucianaFranklin em 23/09/2025
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