LucianaFranklin

“A palavra é metade de quem a pronuncia, metade de quem a escuta” Michel de Montaigne

Textos


Teoria do cultivo*

 

A prática de doomscrolling (rolagem da perdição) pode ser comparada com um fenômeno conhecido por síndrome do mundo cruel, descrito como "a crença adquirida por exposição de longo termo a material violento na televisão de que o mundo é um lugar muito mais perigoso para se viver do que realmente é". Estudos mostram que ler notícias ruins faz com que a pessoa busque ainda mais informação sobre o mesmo tópico, levando a um ciclo autodestrutivo. Síndrome do mundo cruel, também denominada síndrome do mundo mau, é um termo usado para descrever o fenômeno por meio do qual o conteúdo relacionado à violência na grande mídia faz com que a audiência creia que o mundo é mais perigoso do que realmente é. A síndrome do mundo cruel é uma das principais conclusões da teoria do cultivo. Gerbner**, um pesquisador pioneiro no tema efeitos da televisão na sociedade, argumentou que as pessoas que assistem à televisão tendiam a ver o mundo como um lugar impiedoso e intimidador. Uma correlação direta entre a quantidade de televisão que se assiste e quantidade de medo que se tem de mundo foi provada, ainda que a direção de causalidade permaneça discutível em pessoas temerosas do mundo externo, uma vez que estas tornam-se mais propensas a se recolher e a passar mais tempo em atividades internas e solitárias, tais como assistir à televisão.

 

Argumentum ad metum ("Argumento pelo/do medo")

Argumentum ad consequentiam ("argumento por consequência")

 

A Síndrome da Mulher Branca Desaparecida (SMBD), é uma frase usada por cientistas sociais para descrever a extensa cobertura da mídia, especialmente na televisão, sobre casos de desaparecimento de mulheres e jovens brancas, de classe média alta, normalmente atraentes. Os sociólogos definem o fenômeno da mídia, com o foco indevido em mulheres e meninas brancas, de classe média alta, que desaparecem, com o grau desproporcional de cobertura que recebem se comparados aos casos de mulheres desaparecidas de outras etnias e classes sociais, ou com o desaparecimento de homens de todas as classes sociais e etnias.

 

Um pânico moral é um sentimento de medo, por vezes exagerado, espalhado em um grande número de pessoas de que algum mal ameaça o bem-estar da sociedade. As mídias são atores-chave na disseminação da indignação moral, mesmo quando não pareçam estar conscientemente engajados em cruzadas ou realizando uma investigação jornalística. A simples divulgação de algo pode bastar para gerar preocupação, ansiedade ou pânico.

 

A heurística da disponibilidade, também conhecida como viés da disponibilidade, é um atalho mental que se baseia em exemplos imediatos que vêm à mente de uma determinada pessoa ao avaliar um tópico, conceito, método ou decisão. A heurística da disponibilidade opera na noção de que se algo pode ser lembrado, deve ser importante, ou pelo menos mais importante do que soluções alternativas que não são tão prontamente lembradas. Subsequentemente, sob a heurística da disponibilidade, as pessoas tendem a valorizar enormemente informações mais recentes em seus julgamentos, formando opiniões tendenciosas, tratando as notícias mais recentes como mais importantes.

 

Medo, incerteza e dúvida, significado da abreviação FUD (do inglês fear, uncertainty, and doubt) é uma prática de marketing que consiste em desacreditar o concorrente espalhando desinformação sobre o produto rival. Apesar de ser uma prática moralmente condenável em muitos países, o FUD é aceito nos Estados Unidos. A prática é antiga. Remonta à época da Guerra das Correntes. Thomas Edison conseguiu que execuções em cadeira elétrica fossem feitas com corrente alternada, caracterizando assim a corrente como perigosa. A expressão também é utilizada no mercado de valores para expressar momento de alta volatilidade entre compradores e vendedores fazendo com que as tomadas de decisões sejam baseadas em fatores emocionais e não em estratégias.

 

Exemplo:

Quando o chefe é incompetente, há demissões

Não queremos demissões

Então o chefe é competente.

 

* A Teoria do Cultivo, formulada por George Gerbner propõe que a exposição prolongada e repetida à televisão molda a percepção da realidade dos indivíduos, alinhando-a com o conteúdo da mídia. Os telespectadores frequentes, ou "espectadores pesados", tendem a acreditar que o mundo real reflete o mundo retratado na TV, o que pode levar a distorções em suas atitudes e crenças sobre a sociedade, como níveis de perigo e violência. 

 

** teórico da comunicação, fundador da "teoria da enculturação" e poeta. Nascido em Budapeste, Hungria, emigrou para a América em 1939. Gerbner graduou-se em jornalismo na Universidade da California, Berkeley em 1942. Trabalhou para o "San Francisco Chronicle" como escritor, colunista e editor financeiro assistente. (https://pt.wikipedia.org/wiki/George_Gerbner)

 

FONTE/IMAGEM

https://academiadopsicologo.com.br/areas-de-atuacao/teoria-do-cultivo-na-psicologia-da-midia-impactos-na-sociedade-moderna/

LucianaFranklin
Enviado por LucianaFranklin em 23/09/2025
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

Site do Escritor criado por Recanto das Letras