LucianaFranklin

“A palavra é metade de quem a pronuncia, metade de quem a escuta” Michel de Montaigne

Textos


Hypomnemata para Foucault

Hypomnemata são registros escritos e pessoais, como cadernos, notas e diários, que serviam como uma "memória material" para o indivíduo refletir sobre suas leituras, pensamentos e experiências. Para Michel Foucault, o autor não é o indivíduo que escreveu a obra, mas uma função discursiva, uma unidade de organização que agrupa e dá coerência aos textos sob um nome. Essa função-autor se manifesta na forma como um discurso é recebido e classificado na sociedade, e não se limita à pessoa que escreveu o texto.

 

Hypomnemata e a escrita de si serviam como ferramentas para o "governo de si", auxiliando na escrita de tratados mais sistemáticos, no enfrentamento de dificuldades emocionais e na construção da subjetividade. No mundo digital, os hypomnemata ganham novas formas, como arquivos digitais e aplicativos de celular.

 

Para Foucault, os hypomnemata foram técnicas de "escrita de si", mas também podiam ser usadas para manipulação e controle e o nome do autor é um princípio que agrupa e unifica uma série de enunciados e significações, mesmo que haja inconsistências no texto e a função-autor é um conceito que vai além do indivíduo, pois o autor não é simplesmente o criador ou o produtor do texto, mas sim uma figura que dá unidade a um discurso e a função-autor está ligada à ideia de responsabilidade e apropriação do discurso, especialmente a partir do momento em que o autor poderia ser punido pelo que escrevia.

 

FONTE

FOUCAULT, Michel. O que é um autor? Lisboa: Passamentos, 1992.

LucianaFranklin
Enviado por LucianaFranklin em 16/10/2025
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