LucianaFranklin

“A palavra é metade de quem a pronuncia, metade de quem a escuta” Michel de Montaigne

Textos


A pena da duplicidade é ferramenta perfeita para tramar a mentira perfeita

A caneta (pena) pode ser vista metaforicamente como um instrumento poderoso. Através da escrita, é possível construir narrativas, ficções e, sim, mentiras elaboradas que parecem verdadeiras (a pena da duplicidade). Ferramenta perfeita para tramar a mentira perfeita: ideia de dissimulação e a habilidade de apresentar uma versão falsa da realidade de forma impecável, uma prática frequentemente analisada em obras que lidam com a moralidade, a psicologia humana e a natureza da verdade. Lembranças podem variar tanto quanto o humor. 

 

A duplicidade (ou o duplo, o outro, o doppelgänger) é, no entanto, um tema central e obsessivo na obra de Borges, explorado em diversos contos e poemas. 

O tema do duplo aparece em contos como:

  • "O Outro" (do livro O Livro de Areia), onde o narrador, o próprio Borges, encontra uma versão mais jovem de si mesmo em um banco de praça.
  • "O Sul", onde o protagonista Juan Dahlmann vive uma realidade ambígua que pode ser um sonho, um destino alternativo ou a duplicação de sua própria morte.
  • "As Ruínas Circulares", onde um mago sonha um homem em detalhes e, ao final, descobre que ele próprio também é um ser sonhado por outro.
  • "Tlön, Uqbar, Orbis Tertius", onde o conceito de espelhos e cópula é abominável por "multiplicar e divulgar o número dos homens". 

Essas narrativas usam o artifício do duplo para questionar a realidade, a identidade, a autoria e a natureza da existência, desafiando o leitor a distinguir o original da cópia ou do simulacro. A referência à "pena" pode aludir ao ato da escrita e como ela cria cópias ou realidades paralelas. 

 

FONTE:

BORGES, J. L. Ficções. São Paulo: Globo, 1999.

LucianaFranklin
Enviado por LucianaFranklin em 23/12/2025
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