

Caim, a guerra é ridícula (a psicologia de Deus na obra de Saramago)Caim, último romance de Saramago, conclui a crítica ao Cristianismo empreendida pelo autor e a obra é vista como o ponto culminante da sua crítica ao legado cultural e religioso judaico-cristão. Neste romance, Saramago conclui uma linha de questionamento que já vinha sendo desenvolvida em obras anteriores, como O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991). O autor recria e reinterpreta criticamente narrativas do Antigo Testamento, subvertendo o monopólio de sentido dos textos sagrados. Os personagens bíblicos são apresentados com emoções, falhas e complexidades humanas, o oposto de figuras idealizadas. A narrativa coloca em xeque a imagem de um Deus benevolente, destacando passagens bíblicas que descrevem um Deus "cruel, invejoso e insuportável", e questionando a lógica por trás de Suas ações e julgamentos, como a rejeição da oferenda de Caim. Ao invés de uma divindade onipotente, Saramago foca na fragilidade e na tenacidade da condição humana, sugerindo que a responsabilidade ética recai sobre as pessoas, não sobre uma entidade superior.
SARAMAGO, José. Caim. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. LucianaFranklin
Enviado por LucianaFranklin em 26/12/2025
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