LucianaFranklin

“A palavra é metade de quem a pronuncia, metade de quem a escuta” Michel de Montaigne

Textos


(Des)Governo Paranoico

Como é possível que tantas pessoas, aparentemente racionais, amem e aplaudam os governos mais perversos e genocidas?

 

E recusando a enxergar a liberdade e o respeito de que elas próprias desfrutam nas democracias ocidentais, ao mesmo tempo que continuam acreditando, contra todas as evidências, que são moral e intelectualmente superiores aos que não seguem o seu exemplo?

 

Como se defender da devastação psicológica geral já que um sistema de governo forjado por uma minoria psicopata que assume o controle da vida de pessoas normais e ocupam não só cargos políticos, mas posições de referência moral e intelectual, incluindo-se aí as salas de aula e cátedras universitárias, como os "pedagogos da sociedade", pessoas fascinadas por suas ideias grandiosas, frequentemente limitadas e com alguma mácula derivada de processos de pensamento patológico, que se esforçam para impor suas teses e métodos, empobrecendo a cultura e deformando o caráter das pessoas?

 

As pessoas que perderam a capacidade de raciocínio lógico (e, portanto, a capacidade de distinguir a verdade da mentira) são portanto mais inclinadas a aceitar a paralógica e a paramoral dos psicopatas e caracteropatas?

 

Patocracia (do grego πάθος, paixão, excesso, catástrofe, passagem, passividade, sofrimento, assujeitamento), é um termo cunhado por Andrzej Łobaczewski, que estudou como os psicopatas influenciam no avanço da injustiça social e sobre como abrem caminho para o poder. Ele também nomeou a ponerologia, o estudo interdisciplinar das causas de períodos de injustiça social, onde o psicopata é um fator chave. Essa disciplina faz uso de dados da psicologia, sociologia, filosofia e história para abordar fenômenos como guerras agressivas, limpeza étnica, democídio, genocídio e terrorismo.

 

Sistemas autoritários ou oligárquicos, onde o poder e a riqueza são concentrados nas mãos de uma pequena elite, e a informação é controlada para manter esse status quo. Em um sistema assim, são características: 

- extrema desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres.

- meios de comunicação controlados, dominados pela propaganda.

- corrupção generalizada.

- supressão do individualismo e criatividade.

- empobrecimento dos valores artísticos.

- empobrecimento dos valores morais, uma estrutura social baseada no auto interesse, ao invés de altruísmo.

- ideologia fanática; muitas vezes uma forma corrompida de uma ideologia válida viável que é pervertida em uma forma patológica, tendo pouca semelhança com a substância do original.

- intolerância e suspeita de qualquer um que é diferente, ou que não concorda com o estado.

- controle centralizado.

- atividades secretas dentro do governo, e vigilância da população em geral. (Em contraste, uma sociedade saudável teria processos governamentais transparentes e respeito à privacidade do cidadão individual).

- governo paranoico.

- legislação excessiva, arbitrária, injusta e inflexível; o poder de decisão é reduzido / removido da vida dos cidadãos comuns.

uma atitude de hipocrisia e de desprezo demonstrado pelas ações da classe dominante para com os ideais que afirmam seguir, e para com os cidadãos que dizem representar.

- utilização endêmica de raciocínio psicológico corrompido como paramoralismos, pensamentos deturpados e linguagem evasiva e ambígua.

- governo pela força ou medo da força

- as pessoas são consideradas como um "recurso" a ser explorado (daí o termo "recursos humanos"), e não como indivíduos com valor humano intrínseco.

- vida espiritual é restrita a inflexível e esquemas de doutrinação. Qualquer pessoa que tentar ir além desses limites é considerada herege ou insana, e, portanto, perigosa.

- divisões arbitrárias da população (classe, etnia, credo) são inflamadas em conflito umas com as outras.

- supressão da liberdade de expressão — debate público, manifestação, protesto.

- violação dos direitos humanos básicos, como por exemplo: restrição ou negação das necessidades básicas da vida, como comida, água, abrigo; detenção sem acusação; tortura e abuso; trabalho escravo; Nenhum prejuízo nos salários dos partidários.

 

FONTE:

Łobaczewskiand, Andrzej. Ponerologia: Psicopatas No Poder. Nova Iorque, agosto de 1984.

 

IMAGEM:

Folha/UOL

LucianaFranklin
Enviado por LucianaFranklin em 29/12/2025
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

Site do Escritor criado por Recanto das Letras