LucianaFranklin

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Invasão da Venezuela pelos EUA

A operação militar dos Estados Unidos que resultou na prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no sábado, 3 de janeiro, abriu um perigoso precedente na América do Sul. Para especialistas ouvidos pelo Jornal da Unicamp, os Estados Unidos estão em busca de “disciplinar governos” na região, e a Venezuela foi a primeira pedra do dominó de uma partida geopolítica calcada na renovação de objetivos imperialistas.

 

“A Doutrina de Segurança Nacional, divulgada em novembro passado pelo governo de Donald Trump, já atualizava em teoria suas preocupações com o avanço dos imperialismos na região, mas, a partir de agora, os temores certamente chegam a um novo patamar”, afirma Josianne Cerasoli, professora do departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp.

 

Vale destacar, segundo ela, que a Doutrina de Segurança se refere, em tom de ameaça, ao destino imaginado para o que denomina Hemisfério Ocidental. “A escolha que todos os países devem enfrentar é se querem viver em um mundo liderado pelos Estados Unidos, com países soberanos e economias livres, ou em um mundo paralelo, no qual são influenciados por países do outro lado do mundo,” diz trecho do documento.

 

Em dezembro, o bloqueio naval a petroleiros que saíam da Venezuela rumo a Cuba, China e outros destinos, com embarcações de diversas bandeiras detidas em águas internacionais, intensificou a escalada. “Durante todo esse processo, houve contatos entre a administração Trump e o governo Maduro, inclusive com notícias de conversações diretas, embora não esteja claro quem participou delas, nem seu conteúdo. É sintomático que, dois dias antes da virada do ano, Maduro tenha declarado publicamente estar disposto a negociar com os Estados Unidos sobre petróleo e cooperação no combate ao narcotráfico”, destaca o professor José Alves.

 

É importante registrar que a Venezuela nunca foi uma das principais rotas de drogas para os Estados Unidos. “A rota central passa pela Colômbia, América Central e México, pelo Oceano Pacífico. Existe algum tráfico passando pela Venezuela, mas não é uma rota relevante. Por isso, essas alegações sempre foram frágeis. Na coletiva de imprensa do Trump no sábado, isso ficou claro: ele sequer mencionou o problema das drogas e se concentrou no que realmente lhe interessa, o petróleo e o domínio americano sobre o hemisfério ocidental. Essas sempre foram as duas questões centrais.”

 

FONTE/IMAGEM:

https://jornal.unicamp.br/noticias/2026/01/07/especialistas-dissecam-acao-dos-eua-na-venezuela/

LucianaFranklin
Enviado por LucianaFranklin em 05/02/2026
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