

A arte de não ser governado"Pessoas acima do lucro" é um princípio ético de valorização humana sobre interesses financeiros, frequentemente discutido em contextos de responsabilidade social corporativa, ética nos negócios e segurança no trabalho, especialmente quando o lucro é priorizado à custa de vidas ou bem-estar. Empresas que priorizam pessoas (funcionários, clientes e comunidade) tendem a construir uma reputação mais sólida e sustentável a longo prazo, em vez de focar apenas no ganho financeiro imediato e essa ideia questiona modelos de negócios que ignoram a segurança ou a saúde dos colaboradores para maximizar os resultados financeiros. Há uma tendência crescente de consumidores boicotarem marcas que colocam o lucro acima da vida, refletindo uma demanda por humanização nos negócios, porém a inversão dessa lógica (colocar pessoas acima do lucro) passa por entender como o neoliberalismo transforma indivíduos em "empresas de si mesmos" (Michel Foucault), onde o indivíduo é convidado a gerenciar sua própria vida como uma empresa (empresariamento de si). A pessoa torna-se seu próprio capital, sua própria produtora e o seu próprio lucro, já que a sociedade disciplinar produz "corpos dóceis" – corpos que são, ao mesmo tempo, úteis e submissos.
Estudos atuais baseados em Foucault, como os que analisam a Inteligência Emocional e a Educação Positiva, mostram que as emoções humanas foram incorporadas à lógica do lucro onde a pressão para ser feliz, resiliente e produtivo é uma forma de controle neoliberal onde a "pessoa" é gerenciada para garantir a "eficiência" no trabalho.
Apesar de descrever cenários de controle intenso, Foucault também propõe a "arte de não ser governado" ou de "não ser governado de tal maneira".
FONTE: FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes, 1997.
IMAGEM: LucianaFranklin
Enviado por LucianaFranklin em 26/03/2026
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