LucianaFranklin

“A palavra é metade de quem a pronuncia, metade de quem a escuta” Michel de Montaigne

Textos


A bondade dói

A bonomia desarma defesas, mas gera irritação e desconfiança em vez de gratidão genuína.

Onde se espera cálculo de interesses e vaidade, ela oferece franqueza total.

A transparência e a compaixão funcionam como um raio X que expõe as misérias morais ocultas.

A sociedade ao redor rapidamente aprende a instrumentalizar sua paciência e seu perdão incondicional.

A autodefesa coletiva é chamar alguém de tolo sendo a forma que os céticos encontram para invalidar uma pureza que os condena.

O amor abnegado não consegue salvar do ciclo de degradação e destruição a que foi submetido.

A bondade pura mostra-se ineficaz como força prática ou política no mundo real dominado pelo dinheiro e pelo ego.

O desfecho aponta para o colapso nervoso de volta ao silêncio da alienação mental.

Resta a interrogação dolorosa: o amor absoluto é uma grandeza divina impossível de habitar a terra sem perecer?

 

FONTE:

DOSTOIÉVSKI, Fiódor. O idiota: romance em quatro partes. Tradução, prefácio e notas de Paulo Bezerra. 4. ed. São Paulo: Editora 34, 2015.

LucianaFranklin
Enviado por LucianaFranklin em 21/08/2026
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