

um sorriso paciente de quem conhece a anatomia do abismoA poeira de calcário e pergaminho flutuava lentamente no ar abafado do vale. O silêncio que se instalara no Fosso Semântico era quase sólido, quebrado apenas pelo som distante das armaduras pesadas dos Gititas em retirada e pelo leve sussurro das Díbias se dissipando como fumaça ao vento. Continuava ajoelhado no fundo da fenda, com as mãos sujas de tinta seca, o peito arfando e a garganta ainda travada pelo eco daquelas sufocantes interações. A sombra que se projetou era suave, mas firme. Ergueu os olhos e viu, guardando a Lâmina da Concisão na bainha de couro preso à cintura. Não exibia o cansaço dos guerreiros comuns; sua postura emanava a calma de quem acabou de organizar uma biblioteca caótica. A cura para o excesso nunca é mais barulho. É a precisão. Uma palavra exata no lugar correto derruba dez gigantes. No fundo do fosso, agora vazio e inofensivo, transformado apenas em linhas limpas de um caderno em branco, sentiu a mente, antes hiperativa e angustiada, finalmente respirar.
LucianaFranklin
Enviado por LucianaFranklin em 23/10/2026
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